Com 10 anos de carreira, Emicida lança disco gravado na África

A escada espremida, com o teto baixo e quase claustrofóbica, marcava a entrada do primeiro endereço do Laboratório Fantasma, escritório, selo e produtora de Emicida. Era uma portinha escondida entre uma rua de comércio na zona norte de São Paulo. Lá em cima, na “bagunça organizada”, o rapper crescia vendendo suas mixtapes e EPs, marcava shows, recebia eventuais jornalistas interessados naquela figura da cultura hip-hop paulistana.





O endereço do escritório mudou duas vezes até a nova casa, mais aconchegante, que abriga agora o já reconhecido selo formado pelos irmãos Evandro Fióti e Leandro (nome do rapper esquecido diante da popularidade do apelido recebido nas rinhas de MC's). “Aqui, dá até para abrir os braços”, brinca Emicida sobre o imóvel, também localizado na zona norte da cidade. Emicida gosta de criar raízes. As mudanças, explicou ele, são em busca por espaço. Os negócios cresceram e, por isso, a mudança. Mantém, contudo, sua história por perto.
Amigos de infância apareciam no meio da tarde no primeiro Laboratório e o fazem agora. Gosta de comer na mesma pastelaria de feira de rua de antes e visitar os parceiros. “Se não consigo, é porque estamos viajando. Tem gente que brinca e diz que estou 'muito artista', mas é brincadeira. Essas pessoas que estão ao meu redor ficam contentes com o sucesso porque todos contribuíram para isso. É algo que alegra a gente, sabe?”
Lançando o segundo disco de estúdio - mas sexto trabalho, mixtapes e EPs forem contabilizados -, o rapper paulistano comemora dez anos de carreira em 2015 com um enorme sorriso no rosto. Com ele, aliás, não existe a tal “cara feia”, não. Assim como o que ocorre com o álbum Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, cujas texturas também ousam na ideia de combater a sisudez musical do gênero.
Emicida não esquece das raízes, da infância pobre à ancestralidade afrodescendente. Para o novo trabalho, foi a Cabo Verde e Angola nessa procura voraz pelas referências e encorpou a pesquisa musical já antiga. “Sempre alimentei esse sonho de viajar, mas não achei que conseguiria tão rápido”, conta ele, devidamente esticado em um espaçoso sofá do recém-inaugurado novo endereço do Laboratório Fantasma. “É ótimo ter espaço, pela primeira vez.”
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